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Textos

Negra Velha benzedeira

(Em homenagem à Vó Júlia, benzedeira moradadora de Santa Rosa, que completou 100 anos em julho de 2016)

Mãos calejadas pela lida diária
Unem-se em oração
O vivente acabrunhado e sofredor
Espera da reza curadora
O milagre que corta a dor

Negra velha benzedeira
Acode com tuas mãos
Corta com o ramo verde
A dor desse irmão

Palavras ditas numa língua estranha
Melodiosas, falam de amor
Percorrem o espírito aflito
Como bálsamo curador

Negra velha benzedeira
Teu imenso coração
Põe-se em festa a cada vez
Que rezas por um irmão

Conduzida por tua fé
Desenhas o símbolo da cruz
Na testa do sofredor
As linhas abençoadas
Lançam fagulhas de luz

Negra velha benzedeira
Ensina-me este amor
Que carregas na alma
E tem perfume de flor

Diga-me de onde vem
Esta alma de tal beleza
Humilde sabedoria
Tamanha fé e riqueza

Nada parece abalar-te
Não deixas ninguém seguir
Sem antes provar de tua fé
Sem antes saber o que é amar

Tu não tens nada
No entanto, tudo tens
Auxilias aqui na Terra
E guardas tesouros no céu

Negra velha benzedeira
Ajoelho- me diante de ti

Maria Inez Flores Pedroso
24/07/2016

 

 


 


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